A amizade verdadeira nunca se desgasta, quanto mais se dá, mais se tem.
Queria deixar aqui uma palavra sobre uma prenda de Natal antecipada – encontrei uma daquelas amigas que nunca devia ter perdido de vista, a Marta!
Conheci-a aos 14 anos, quando encetei numa aventura de campos de férias da EDP em Castelo de Bode. Dez anos passaram mas recordo-me de muito. Conhecemo-nos ainda em Lisboa enquanto esperávamos a hora de chegada do autocarro que nos levaria até Castelo de Bode e o facto de sermos ambas da Amadora deu logo motivo de conversa. Falámos, falámos, falámos, ambas éramos e somos duas comunicadoras natas e ainda adolescentes essas qualidades vinham ao de cima.
Chegadas a Castelo de Bode já ansiávamos em ficar na mesma equipa, na mesma tenda mas lá me calhou uma equipa diferente… Equipa Esquilos e o monitor era o Nuno.
Foram 15 dias de paródia, de diversão, de actividades que puxavam por nós, de zangas e bocas foleiras (éramos míudos, temos perdão!), de canoagem e pedi-pappers, de escalada e rappel, de espírito de equipa, de limpar os wc’s e arrumar as tendas divididas por 3. Foi uma experiência que jamais esqueci…
E não esqueci pois quando retornei à Amadora trouxe uma amiga que tinha vivido o mesmo e na mesma altura que era a Marta.
A Marta que me recordo era animada e bem-disposta, lutadora, no meio da confusão e agitação que eu às vezes trazia em mim era a parte calma e serena da nossa amizade. Os caracóis da Marta eram o oposto dos meus cabelos lisos e longos, era baixinha, desportista mas gulosa também. A amizade de duas míudas diferentes mas tão iguais. Remexi hoje na carteira e eis que descobri 3 das muitas fotos que tirámos na máquina de fotografias que havia ao lado da estação da Amadora! Lembras-te de nos encolhermos as duas lá dentro e fazermos caretas? Eu era mais de caretas, tu eras mais de sorrir com seriedade! Assim que a gente se encontre mostro-te essas fotos!
Há muitas coisas que me fazem lembrar de ti, os primeiros pagers da Coca-Cola que se tinha
m de marcar nhentos números e o dinheiro que se gastavam para mandar uma simples mensagenzita (abençoado telemóvel e sms à borliu!). Vê lá que até consegui arranjar uma imagem na net do tão famigerado e agora odiado objecto! E da vez que a dormir em tua casa mandei o pobre coitado numa viagem só de ida contra o chão? LOL
O livro “Lua de Joana”, as músicas e já pus uma delas no teu Hi5, os Backstreet Boys, Take That, e as Spice Girls que a tua irmã também adorava (ai meu Deus, nem acredito que ouvíamos essas coisas!)…
Depois a vida deu uma volta qualquer que nos afastou, não me lembro do que foi e com o passar dos anos jamais pensei que fosse reencontrar a amizade de irmãs que tinha contigo, as cartas que escrevíamos uma à outra deram agora lugar à “world wide web” esta rede cibernáutica que é tão prejudicial (pois alimenta muito a cusquice alheia e a chamada “parasitagem” que por aqui anda) mas que é tão fundamental em ligar pessoas como foi no nosso caso!
Desejo que não percamos tempo em meter a conversa em dia e possas redescobrir a Edite actual, passados 10 anos, e possa aos poucos e poucos contar-te o que fui vivendo, e saber por que caminhos andaste tu até agora.
Até breve Martinha e um obrigado pela simpatia que ainda trazes em ti.